Gigante Knits
← O Diário do Gigante
Do diário do Gigante

The Gigante Jumper: o bom, o mau e o feio

Histórias do ateliê Fernando Santos Por Fernando Santos
Compartilhe

Já dei um Gigante para todos os meus amigos próximos. Todo mundo tem um, menos eu. Eu tinha acabado de fazer uma bolsa tote para o notebook, estava esfriando, e decidi que, em vez de um cardigã, queria um suéter. O que saiu do outro lado é o que faz desconhecidos me pararem na rua hoje. O que eles não veem são quatro recomeços, uma manga que não deu certo, duas golas que desmanchei, uma cor da qual meu companheiro me convenceu a desistir e os pontos que jurei que nunca faria. Esta é a história inteira, com as fotos que tirei pelo caminho.

Detalhe do Gigante Jumper: pontos em Pastel Rainbow, a faixa Lavender no peito e os pontos corridos em Eggshell.
O suéter pronto. Tudo o que vem abaixo é como ele chegou aqui.

O bom

Não comecei com um desenho. Eu simplesmente adoro nossas misturas de merino, então ele sempre ia sair dessa família. A Pastel Rainbow tem menta, manteiga, pêssego, céu e limão num só fio. O plano, se é que dava para chamar assim, não ia além disto: uma faixa no peito, os punhos e a gola numa cor sólida, e essa cor tirada de dentro da mistura. Testei várias.

Laços de lã penteada sem fiar em Lavender, menta, céu, verde-floresta, lilás e verde-folha sobre uma amostra de Pastel Rainbow, os testes de cor para a faixa.
Os testes de cor, em laços sobre a amostra. Cada um deles existe em algum lugar dentro da Pastel Rainbow.

Sou designer gráfico. Cor é a parte do trabalho em que sou melhor, e sempre achei que lavanda era a minha cor. Meu companheiro achou feminina demais. Então me conformei, a contragosto, com um verde-floresta escuro, e segui em frente.

O mau

Tricotei a frente e as costas na lã Gigante normal, a mecha de que todo cardigã é feito, com a faixa em verde-floresta. Ainda sem gola, sem mangas. E estava errado. Não o tricô: a lã. Um suéter precisa de caimento e movimento, e este ficava em pé sozinho. Uma armadura. A espessura que faz um cardigã é simplesmente demais para uma peça que precisa cair do corpo e se mover com ele.

Desmanchei. Tricotei de novo. Desmanchei também. Quatro vezes, e em algum momento eu já estava procurando pelo em ovo, e partindo lã ao meio, e a ficha caiu. No design temos uma regra acima de todas: a forma segue a função. A forma não servia à função de um suéter, então a forma tinha que mudar. A mecha que chega da fiação tem cerca de dois dedos de espessura e é impossível de trabalhar até ser domada, e domá-la é o primeiro trabalho em cada pacote que vendemos (tem um post inteiro sobre isso). Então por que não dividi-la mais uma vez? Ainda linda, ainda Gigante, com pontos menores que cabiam num suéter. Testei, e nasceu a Gigante Junior.

Gigante Junior em agulhas de madeira de 15 mm: a mecha Pastel Rainbow dividida, com metade da espessura da lã do cardigã.
Um novelo de Gigante Junior numa mão, a mecha Pastel Rainbow dividida e enrolada.
O corpo do suéter em Gigante Junior no manequim do ateliê, sem mangas, cavas abertas.

Gigante Junior nas agulhas, enrolada num novelo e tricotada no corpo. Dividir dá trabalho. A torção da fiação faz as duas metades se enrolarem uma na outra, e a mecha dividida arrebenta se você tiver pressa, então cada novelo é dividido à mão e enrolado devagar. É chato. O suéter vale a pena. E quando o corpo ficou pronto de novo, o verde também já tinha ido embora e a lavanda tinha saído de volta da gaveta. No momento em que vi a faixa no corpo, soube que o primeiro instinto estava certo.

O corpo do suéter sem mangas em Gigante Junior, de lado no manequim, a cava aberta e a costura lateral.
O corpo em Gigante Junior, finalmente caindo do jeito que um suéter deve cair.

A lã dividida me deu algo que eu não esperava: liberdade. Tricoto os cardigãs com os dedos. A Gigante Junior me pôs de volta nas agulhas, e fiz as pazes com técnicas que eu não tocava havia muito tempo. Aumentos no ponto meia e no ponto tricô. Ribana 1x1 para as barras. E coisas que nem pertencem de verdade ao tricô grosso, como o ponto invisível nas costuras laterais, que a lã grossa simplesmente não aceita.

Quarenta e cinco segundos de ponto invisível, em Gigante Junior. Toque para assistir.

Quando o corpo ficou certo, as mangas deram errado. Levantei pontos ao redor da cava e tricotei para baixo em circular, e a primeira versão ficou estreita demais. Grosso e estreito não combinam. A segunda também não. Na terceira vez dei à manga a largura de que ela precisava, deixei-a bufante e franzi num punho longo e liso em Lavender. Essa é a manga da receita.

Fernando vestindo o suéter com a primeira manga, estreita demais para o corpo grosso. Rejeitada.
Manga número um, no meu braço. Estreita demais. Rejeitada.

O feio

A gola. Fiz primeiro em Lavender, uma ribana com os pontos Eggshell em volta. Ficou grossa e ficou errada. Desmanchei e tentei de novo, ribana Lavender no corpo pronto. Ainda errada. Uma gola inteira em Lavender puxa o olhar para cima, para longe da faixa, que é o ponto do suéter.

O primeiro teste de gola estendido: uma gola em ribana Lavender com pontos corridos em Eggshell em volta. Rejeitada.
Fernando com o suéter, gola em ribana Lavender e a faixa alta no peito. Rejeitada.
A gola final: ribana em Pastel Rainbow e arremate em Lavender, uma linha fina de cor na borda.

Gola um, gola dois e a que ficou. A resposta foi fazer a ribana da gola na mistura e trocar para Lavender só no arremate, para você ter uma linha fina de cor onde ela encosta na pele e nada mais.

Depois veio o momento em que o suéter ficou pronto e eu não gostei. Corpo feito, mangas no lugar, gola certa, e ele parecia sem graça. Inacabado. Coloquei na mesa e fiquei olhando para ele por um tempo.

O suéter pronto estendido na mesa do ateliê antes dos pontos corridos: a faixa, os punhos e a barra em Lavender, mas ainda sem pontos Eggshell.
Pronto, e não pronto. Ainda sem pontos corridos.

Eu nunca tinha planejado os pontos corridos. Na verdade, tinha decidido não fazê-los. A pergunta que mais me fazem, em todo post e em toda mensagem, é por que não mostro os pontos do jeito que todo suéter grosso grande mostra, e eu sabia por que não: uma designer fez desse ponto a sua assinatura, e eu não queria copiar o trabalho de ninguém. Aí pensei em tênis. Adidas, Nike, toda marca esportiva do mundo usa a mesma linguagem, as listras, o swoosh, a sola, e ninguém chama isso de cópia. Dá para se inspirar numa linguagem sem copiar o trabalho de alguém. Então peguei uma agulha grande sem ponta e um pedaço de Eggshell.

Faltava o creme. O suéter só virou o suéter na última tarde.

Em cima e embaixo da faixa. Um anel em volta de cada punho. Uma espiral em volta da barra que acompanha as carreiras de tricô. Levou uma tarde, e mudou tudo.

Mãos cruzadas nos pulsos com o Gigante Jumper: os pontos corridos em Eggshell emoldurando a faixa Lavender e circundando os dois punhos.
Detalhe dos pontos em Pastel Rainbow e do ponto corrido em Eggshell por cima deles.
As costas do Gigante Jumper vestido, com a espiral de pontos corridos em Eggshell em volta da barra.

Os pontos emoldurando a faixa e circundando os punhos, os pontos de perto e a espiral em volta da barra, vista de trás.

O suéter

Foram de 25 a 30 horas nas agulhas, e isso enquanto eu ainda descobria como fazer. Ele pesa cerca de dois quilos e meio. A faixa fica só na frente, então as costas são toda na mistura. E as pessoas me param por causa dele. Não amigos sendo gentis: desconhecidos, na rua, perguntando de onde ele é.

O Gigante Jumper vestido, mãos nos bolsos, a faixa Lavender no peito e as mangas bufantes franzidas em punhos longos em Lavender.
A frente: uma faixa, duas mangas grandes, os punhos em Lavender.
O Gigante Jumper vestido num sofá de pub, com a manga e a barra à vista.
Já usado. As mangas ficam bufantes, os punhos caem compridos no pulso.

Então escrevi a receita. Três tamanhos, do S ao L, cada ponto em gráfico, e a lã já dividida e enrolada, porque não vou pedir que você faça a parte chata. A receita vem dentro do kit, com a lã Gigante Junior, e se você preferir pular as agulhas, eu tricoto o seu aqui em Worthing. O lavanda foi a minha cor desde o começo.

Um aviso, e falo sério. Um suéter Gigante é bem mais trabalhoso e difícil do que um cardigã Gigante. Não estou dizendo que os cardigãs são fáceis, mas, para começar, os pontos aqui são menores, você trabalha com agulhas em vez dos dedos, e há muito mais técnica: mangas com pontos levantados, aumentos, ribana, costura invisível, os pontos corridos. Se você já tricotou um cardigã com a gente, o corpo vai parecer familiar e o resto está na receita, passo a passo. Se não, comece por um cardigã.

E ainda não terminei com a lã Gigante Junior. Estou tão feliz com o resultado que estou criando uma linha de gorros com ela. A receita já existe, e estou testando em mesclas e em cores sólidas. Aguarde novidades.

Happy knitting, Fernando
O kitGigante Junior em Pastel Rainbow, Lavender e Eggshell, dividida e enrolada para você, mais a receita do seu tamanho. Tricotado para vocêNo seu tamanho, em Gigante Junior, um único par de mãos do começo ao fim. A lã que domamosCorriedale e as mesclas de merino, preparadas à mão por lote, para um cardigã do jeito que ela vem.
Gostou? Passe adiante

Continue lendo

Dividindo lã sem fiar para tricô grosso: o bom, o ruim e o fiapo
Bastidores

Dividindo lã sem fiar para tricô grosso: o bom, o ruim e o fiapo

A meia hora de preparo manual por trás de cada novelo da nossa lã. A lã Gigante Junior começa aqui.

3 min de leitura Leia a seguir →
Link copiado