Para a Coco: o amor personificado em uma cachorrinha
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Ir direto para o filme dela “Coco — A vida dela” · no fim deste post
Peço desculpas por não estar escrevendo aqui com a frequência que eu sinto que deveria. Sinceramente, não sei quantas pessoas leem este blog, nem se este texto um dia será lido. Mas eu acredito no Universo, e acredito que as palavras têm força.
Aprendi isso quando era pequeno e tentava colar na escola. Minha ideia era fazer anotações para consultar durante as provas, mas eu acabava aprendendo tudo só de escrever. Agora, estou tentando fazer a mesma coisa.
Escrevendo, quero chegar aos confins do Universo. Quero escrever sobre gratidão, amor e coração partido. Espero que, enquanto a internet existir, as pessoas do futuro possam ler isto e conhecer uma força, uma entidade, o amor personificado em uma cachorrinha: a minha pequena Coco.
Meu companheiro Paul e eu começamos a escrever este texto quando a Coco foi diagnosticada com um tumor cerebral, pouco antes do sétimo aniversário dela. Naquele momento, nossos corações estavam se partindo em mil pedaços, mas queríamos compartilhar a história e as fotos dela com o mundo, para que ela nunca seja esquecida.
Estamos terminando agora, depois de ter que dizer adeus.
A nossa turminha
Nós temos três buldogues franceses.
Trouxemos a Coco para casa para fazer companhia ao nosso primeiro filhinho, o Rocco. Ela era um ano mais nova que ele, e os dois ficaram inseparáveis quase que imediatamente. Foram eles que nos carregaram pela quarentena, e no fim mudamos de Londres para Worthing para que eles pudessem ter um lar de verdade, com um grande jardim nos fundos da casa.
Quando a Coco tinha quatro anos, deixamos que ela e o Rocco cruzassem. Ela carregou oito filhotes naquela barriguinha. Infelizmente, foi demais para ela. Ela pariu naturalmente, mas só um filhote sobreviveu. Demos a ela o nome de Halo.
Rocco, Coco e Halo eram inseparáveis. Toda noite, a Coco brincava de cabo de guerra com a filha. Ela nos protegia com devoção total. A Coco era a menina dos olhos de nós dois, mas tinha um laço ainda mais especial com o Paul. Ele brincava dizendo que eu era o papai dela e ele era a Mamma. Sempre que o Paul chamava “Come to Mamma”, ela vinha correndo, não importava onde estivesse nem o que estivesse fazendo.
A Coco, o Rocco e a Halo até entraram com a gente na cerimônia do nosso casamento. A Coco usou um vestidinho lindo para a ocasião. Ela teve algumas roupas especiais ao longo dos anos, incluindo uma fantasiazinha de Papai Noel no Natal.
Ela adorava deitar de barriga para cima com a cabeça no peito do Paul, enquanto ele a enchia de beijo e fazia carinho na barriga dela. Eu quase sempre entrava junto, e quando não entrava, ela me lançava um olhar terrível ou simplesmente olhava para mim e balançava a patinha. Sempre que a gente parava, ela sacudia uma patinha no ar, exigindo mais. Os petiscos favoritos dela eram frango e peixe recém-saídos da churrasqueira. Ela amava tomar o sol da manhã, e amava dar um susto no carteiro. O pecado preferido dela era rasgar as cartas.
Ela era tão grudada na gente que pulava no meu colo enquanto eu trabalhava, então arrumei uma caminha para ela ao lado do teclado. Depois veio uma escadinha, para que os três frenchies pudessem trabalhar do meu lado. A Coco precisava do melhor lugar, claro, e em reuniões sérias, fora da câmera, eu muitas vezes não conseguia prestar atenção, porque ela ficava mexendo as patinhas, pedindo atenção e carinho na barriga.
A Coco era leal até o osso. Nunca ligou muito para explorar o mundo; preferia mil vezes ficar em casa, coladinha na gente.
Na cama, ela dormia bem ao lado das nossas cabeças. Aquele lugar era dela.
O dia em que tudo mudou
O dia 17 de julho começou como uma sexta-feira de sol. Tinha sido um verão quente no Reino Unido, mas aquele dia estava mais fresco, uns 20 graus. Como a Coco era buldogue francesa, uma raça conhecida por dificuldades respiratórias e por não regular bem a temperatura do corpo, sempre tivemos muito cuidado ao sair com ela no calor. Antes que alguém nos julgue: moramos numa casa grande, com um grande jardim nos fundos, e todos os nossos cachorros têm acesso à área externa quando querem, por uma portinha.
No fim daquela tarde, quando esfriou, levamos ela ao pub do bairro. Ela estava animadíssima e voltou empolgada no caminho de casa. Então, sem aviso nenhum, ela desabou e começou a convulsionar na calçada.
Num instante, a minha vida e a do Paul viraram de cabeça para baixo.
Corremos direto para o veterinário. A primeira suspeita foi insolação, embora a gente achasse pouco provável, já que não estava tanto calor assim. No fim de semana, ela pareceu quase a mesma de sempre, mas notamos que estava perdendo um pouco de movimento nas patas do lado direito.
No domingo à noite, durante a final da Copa do Mundo, ela convulsionou de novo. A Halo, filha dela, tem epilepsia, então demos à Coco um remédio de emergência para convulsão e a levamos de volta à clínica. Ali começou uma longa via-crúcis de exames de sangue, consultas e preocupação. Eu até montei uma mesinha na sala para poder trabalhar ao lado dela, porque era ali que ela se sentia mais segura e confortável.
A Coco continuava sendo ela mesma, mas os problemas de locomoção iam piorando. Uma noite, percebi que ela não estava se mexendo direito e parecia apavorada só de tentar ficar em pé. Enquanto esperávamos o encaminhamento para a ressonância, corremos de volta ao veterinário e acabamos numa consulta de emergência no Hospital Veterinário da Universidade de Cambridge.
Foi ali que recebemos a notícia que partiu o nosso coração. A Coco tinha um tumor cerebral agressivo chamado glioma.
Os neurologistas nos disseram que não havia cura. Mesmo com opções avançadas, como radioterapia ou quimioterapia, o melhor prognóstico daria apenas algumas semanas, talvez um ou dois meses.
Lutando pela Coco
A partir daquele momento, fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para dar à Coco a melhor vida possível. Pesquisamos cada tratamento disponível e decidimos que tentaríamos a quimioterapia assim que os encaminhamentos veterinários ficassem prontos.
Contra tudo, ela continuou exatamente a mesma cachorrinha, mesmo com o tumor ocupando cerca de 20 por cento do cérebro dela. Continuou de bom humor. Continuou rosnando para a filha, guardando os lugares preferidos, nos amando ferozmente e sendo devota à nossa família.
O aniversário da Coco seria em 15 de agosto. Sabendo que o tempo era curto, organizamos uma festa adiantada para ela no dia 1º de agosto. Amigos e familiares vieram de longe para vê-la, e ela estava maravilhosa. Olhando para ela naquele dia, ninguém imaginaria que estava vivendo com algo tão grave.
O fim de semana foi claro e ensolarado. Por um breve momento de esperança, chegamos a achar que os anti-inflamatórios estavam funcionando e que ela estava vencendo as probabilidades.
A despedida
Nesta segunda-feira que passou, tivemos mais um dia bom. A Coco deu sinais reais e reconfortantes de melhora. Mas naquela noite, já na hora de dormir, ela começou a convulsionar de novo.
Mesmo depois de duas doses completas do remédio de resgate, as convulsões não paravam. Dava para ver o quanto o cérebro dela estava sendo afetado. Ela parecia perdida, desorientada, e girava sem parar para a esquerda.
Corremos com ela para o veterinário de emergência à meia-noite. Depois de examiná-la com cuidado, a veterinária explicou com delicadeza que a massa já afetava de forma permanente a qualidade de vida e as funções básicas do cérebro dela. Tomamos a decisão mais dolorosa das nossas vidas e a deixamos ir, para protegê-la do sofrimento e das convulsões contínuas.
Nos despedimos da nossa menininha.
Ela agora descansa em paz no fundo do nosso jardim, ao lado dos filhotes que ela perdeu anos atrás, quando só a Halo sobreviveu.
Quem a Coco realmente era
Eu não quero que ninguém lembre da Coco só por ela ter partido pouco antes de completar sete anos. Aquilo foi um instante no fim de uma vida cheia de alegria e aventura. Ela amava estar com a gente. Os olhos dela eram tão expressivos, tão vivos, e ela fazia mil caras. Ela odiava andar em praia de pedra, e se recusava a usar a portinha, então tínhamos que abrir a porta para a Rainha Coco sempre que ela decidia não usá-la. Ela não fazia xixi em nenhum lugar que não tivesse grama. O brinquedo favorito dela era uma argola branca que ela mordia sem parar, e depois uma argolinha verde também. Achamos a argola branca por acaso, e ela gostou tanto que compramos mais duas, só para o caso de sumir.
Quero que todo mundo que estiver lendo saiba o que é amor sem limites. Ela pedia esse amor e dava esse amor para a gente, e a gente devolvia com prazer.
A Coco era um ser especial. Era um espírito, uma alma, uma entidade, uma energia que entrou na nossa vida para nos abençoar com sete anos inesquecíveis. Era protetora, devota e amorosa até o fim. Sem nunca dizer uma palavra, ela nos ensinou o que é amar sem limites.
Ela transformou o nosso mundo inteiro para melhor. A casa toda, e os nossos outros dois frenchies, giravam completamente em torno dela. A gente chamava ela de Rainha Coco. Mas, para mim, ela sempre foi a minha Titinininha, um apelido em português, da minha língua materna, que ela ganhou por ser tão pequenininha quando era filhote.
Fomos abençoados e privilegiados por dividir a vida com ela. Era sempre a primeira a nos receber de manhã, sempre esperando na porta quando eu ou o Paul saíamos, e sempre a primeira a pular com gosto em tudo o que fazia. Ela nos tinha completamente na palma da patinha. A piada lá em casa era que a casa era da Coco, e ela só deixava a gente morar nela, por bondade.
Ela era a menina da Mamma e do Dadda.
A gente até tinha uma história favorita sobre ela. Dizíamos que embaixo da escada, dentro da casinha dela, a Coco tinha uma sala de controle secreta de onde comandava o mundo. Sempre que acontecia alguma coisa que fazia eu e o Paul ficarmos em casa, um carro quebrando, uma greve, mau tempo, a gente se olhava e dizia: “A Coco está controlando os acontecimentos de novo.” Brincávamos que ela criava falhas no mundo só para a gente ficar em casa com ela.
Era uma história de amor que contávamos para nós mesmos, mas uma parte de mim ainda se pergunta se não era verdade.
O efeito colateral do amor
Dizem que o único defeito dos cachorros é que a vida deles é mais curta que a nossa. A Coco esteve aqui por sete anos da nossa vida, mas há um consolo imenso em saber que nós estivemos lá em toda a vida dela. Do dia em que a conhecemos na estação de Paddington até o último suspiro, ela soube que era amada além das palavras. No fim, sussurramos para ela o quanto era amada, e o quanto sempre seria.
Eu juro que ainda sinto a energia e a presença dela pela casa inteira. A vida perdeu um pouco da magia.
Dizem que o luto e o coração partido são só os efeitos colaterais de amar profundamente. A dor que carregamos agora tem o tamanho do amor que dividimos com ela. Às vezes é difícil até respirar. Sei que as feridas saram com o tempo, mas ferida sarada continua sendo cicatriz. Perdemos um pilar da nossa família, e nada será igual sem ela.
E, ao mesmo tempo, sou profundamente feliz e grato pelo presente que foi a vida dela. Que honra você ter nos escolhido, Coco.
Minha Tetena, espero que a gente se encontre de novo, e de novo, em todas as vidas. Eu brincava que, nas nossas vidas passadas, eu e o Paul éramos os cachorros e você era a nossa guardiã humana. Seria tão bonito receber você de volta um dia como nossa filha humana.
Obrigado do fundo do nosso coração e da nossa alma. Sei que um dia vamos nos encontrar onde não existem limites físicos, e vamos poder brincar juntos como uma energia só. Você está para sempre no nosso coração, e eu prometo lembrar de você todos os dias, pelo resto das nossas vidas. Sei também que você continua bem aqui com a gente, e vai estar com a gente para todo o sempre.
As peças que tricotei para a Coco
Aqui estão algumas das peças especiais que tricotei para a Coco. Nunca cheguei a fazer um Gigante Knit de verdade para ela, por causa da escala, mas aprendi muito sobre o ofício fazendo essas peças pequenas para ela usar.
Em memória
Se a história da Coco tocou o seu coração, eu ficaria profundamente grato se você considerasse fazer uma pequena doação para a Wadars, a ONG de resgate animal aqui da nossa cidade, Worthing.
Muito obrigado por ler até aqui. Se você perdeu um bichinho ou está passando por um luto agora, fique à vontade para me escrever diretamente em fernando@giganteknits.com.
Se puder dedicar um pensamento silencioso à minha menininha quando ler isto, peça que a energia dela fique pertinho da Mamma e do Dadda dela.
Que Deus abençoe todos vocês.
E que Deus abençoe a nossa pequena Rainha Coco para todo o sempre ❤️
Mamma e Dadda te amaram tanto,
mais do que as palavras dizem o quanto.
Rainha da casa desde o primeiro dia,
para sempre guardada na nossa alegria.
Em cada vida que a gente viver,
vamos sempre voltar pra você.
Coco — A vida dela: o filme
Três horas e seis minutos. Cada foto e cada vídeo que temos dela, em ordem, da noite em que ela chegou em casa até o último quadro, terminando com uma dedicatória. Ele vive aqui agora, para todo mundo que a amou. Use os capítulos para ir direto a um momento. As legendas do filme são as nossas publicações originais, em inglês.
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